O coração dispara, o ar parece não entrar, as mãos tremem e vem a sensação de que algo muito ruim vai acontecer. Quem já passou por uma crise de ansiedade sabe como ela assusta, e como é difícil pensar com clareza no meio dela. A boa notícia é que a crise passa, e existem atitudes simples que ajudam a atravessá-la mais rápido. Neste guia, você vai entender o que fazer numa crise de ansiedade, como reconhecer os sintomas, como ajudar alguém e quando procurar tratamento.
O que é uma crise de ansiedade?
Crise de ansiedade é um episódio de medo ou angústia intensa, acompanhado de sintomas físicos fortes, que surge quando o sistema de alerta do corpo é ativado de forma exagerada. O organismo reage como se estivesse diante de um perigo real: libera adrenalina, acelera o coração e a respiração e prepara os músculos para fugir ou lutar. O problema é que, muitas vezes, não há perigo nenhum, e é justamente isso que torna a experiência tão confusa e assustadora.
Quais os sintomas de uma crise de ansiedade?
Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns são coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tremores, suor, tontura, formigamento nas mãos ou no rosto, náusea, choro, sensação de estar fora do próprio corpo e medo intenso de perder o controle, enlouquecer ou morrer. Depois da crise, é comum sentir cansaço, dor no corpo e uma certa "ressaca" emocional.
- No corpo: taquicardia, falta de ar, aperto no peito, tremores, suor frio, tontura, formigamento, enjoo;
- Na mente: pensamentos acelerados, sensação de perigo, medo de morrer ou de enlouquecer, dificuldade de raciocinar;
- Nas emoções: angústia, choro, irritação, vontade de fugir do lugar onde está.
Atenção: dor no peito, falta de ar e formigamento também podem ser sinais de problemas no coração ou de outras condições médicas. Se for a primeira vez, se os sintomas forem muito intensos ou diferentes do habitual, procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192).
O que fazer numa crise de ansiedade: passo a passo
- Reconheça o que está acontecendo: diga para si mesmo "é uma crise de ansiedade, é desconfortável, mas vai passar". Nomear a crise reduz o medo do medo.
- Respire devagar: inspire pelo nariz contando até 4, solte o ar pela boca contando até 6. Repita por alguns minutos. Soltar o ar mais devagar do que puxa ajuda a desacelerar o coração.
- Volte para o presente com a técnica 5-4-3-2-1: observe 5 coisas que você vê, 4 que você pode tocar, 3 sons que você ouve, 2 cheiros e 1 sabor. Isso tira o foco dos pensamentos catastróficos.
- Solte o corpo: apoie os pés no chão, relaxe os ombros e o maxilar, abra e feche as mãos devagar.
- Não lute contra a crise: tentar "parar à força" costuma aumentar a ansiedade. Deixe as sensações virem e passarem, como uma onda.
- Procure um lugar tranquilo e, se puder, alguém de confiança: só a presença de outra pessoa já ajuda a se sentir seguro.
- Depois que passar, descanse e anote: o que estava acontecendo antes da crise? Identificar gatilhos é o primeiro passo para prevenir as próximas.
Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?
Na maioria das vezes, os sintomas atingem o pico em cerca de 10 minutos e vão diminuindo depois disso, passando em até 20 a 30 minutos. Algumas pessoas sentem um mal-estar mais prolongado, com ansiedade que vai e volta ao longo do dia. Mesmo quando parece que não vai acabar, a crise passa: o corpo não consegue manter esse nível de alerta por muito tempo.
O que causa crise de ansiedade?
Não existe uma causa única. A crise costuma surgir da combinação de fatores, como estresse acumulado, sobrecarga no trabalho ou em casa, noites mal dormidas, conflitos nos relacionamentos, situações de pressão (provas, entrevistas, apresentações), uso de cafeína, álcool ou outras substâncias e predisposição genética. Às vezes ela parece vir "do nada", mas, com acompanhamento, quase sempre é possível identificar os gatilhos e o que deixa o corpo mais vulnerável.
Crise de ansiedade e crise de pânico são a mesma coisa?
São parecidas, mas não iguais. A crise de pânico é um tipo mais intenso de crise, que surge de forma súbita, muitas vezes sem um motivo aparente, com sintomas físicos muito fortes e medo de morrer. A crise de ansiedade, no uso do dia a dia, costuma estar mais ligada a uma preocupação ou situação específica e pode crescer aos poucos. Quando as crises de pânico se repetem e a pessoa passa a viver com medo da próxima, pode se tratar de transtorno de pânico, que tem tratamento.
Como ajudar alguém em crise de ansiedade?
Mantenha a calma, fique por perto e fale de forma tranquila, com frases curtas: "estou aqui com você", "isso vai passar". Convide a pessoa a respirar junto com você, devagar. Evite frases como "calma, não é nada" ou "isso é frescura", que aumentam a sensação de não ser compreendido. Leve a pessoa para um lugar mais calmo, se possível, e respeite o espaço dela. Se houver dor no peito forte, desmaio ou dúvida sobre o que está acontecendo, procure atendimento médico.
Crise de ansiedade em criança: o que fazer?
Crianças também têm crises de ansiedade, que podem aparecer como choro intenso, dor de barriga, birra, recusa em ir para a escola ou medo de se separar dos pais. Durante a crise, abaixe-se na altura da criança, fale com calma, acolha o que ela sente sem minimizar e respire junto com ela, de forma lúdica (por exemplo, "vamos encher um balão bem devagar"). Se as crises forem frequentes, vale buscar uma avaliação com psicólogo infantil.
Qual o CID da crise de ansiedade?
Não existe um código específico para "crise de ansiedade" isolada. O código depende do diagnóstico feito pelo profissional: na CID-10, o transtorno de pânico é F41.0, o transtorno de ansiedade generalizada é F41.1 e os transtornos ansiosos não especificados são F41.9; na CID-11, o transtorno de pânico é 6B01 e o de ansiedade generalizada, 6B00. O diagnóstico só pode ser feito por um profissional de saúde, após avaliação.
Quando procurar ajuda profissional?
Procure ajuda quando as crises se repetem, quando você passa a evitar lugares ou situações com medo de ter uma crise, quando a ansiedade atrapalha o sono, o trabalho, os estudos ou os relacionamentos, ou quando você sente que não tem mais controle sobre ela. Crises frequentes não são "jeito de ser": são um sinal de que o corpo e a mente precisam de cuidado.
Crise de ansiedade tem tratamento?
Sim, e o tratamento costuma ter ótimos resultados. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens com mais evidências para ansiedade e pânico: ela ensina a entender o ciclo da crise, lidar com pensamentos catastróficos, enfrentar gradualmente as situações evitadas e usar técnicas práticas no dia a dia. Em alguns casos, o psiquiatra pode indicar medicação, de forma complementar. Hábitos como sono regular, atividade física, alimentação equilibrada e menos cafeína e álcool também ajudam a reduzir as crises. Leia também: como a alimentação pode ajudar no controle da ansiedade.
Psicólogas para ansiedade na Clínica Acurar
Na Clínica Acurar, três psicólogas especialistas em Terapia Cognitivo-Comportamental cuidam de ansiedade e crises de pânico:
- Eliete Lôpo (CRP/DF 24872): ansiedade, pânico e fobias, estresse e esgotamento mental. Atendimento presencial na Asa Sul ou online;
- Josilene Silva Pereira (CRP/DF 27907): ansiedade, pânico e ansiedade social, ansiedade em provas e concursos, atendimento de crianças e adultos. Presencial na Asa Sul ou online;
- Daiana Falcão (CRP/DF 26296): ansiedade e alterações de humor. Atendimento online para todo o Brasil.
Os atendimentos aceitam convênio.
Você não precisa conviver com o medo da próxima crise. Agende uma consulta ou fale com a gente pelo WhatsApp e comece o tratamento.