Você sempre se sentiu "diferente", cansa muito depois de encontros sociais, tem dificuldade com barulho ou mudanças de rotina e passou anos tentando entender por quê? Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico de autismo só na vida adulta, muitas vezes depois de ver um filho ser diagnosticado ou de se reconhecer em relatos na internet. Neste guia, você vai entender o que um teste de autismo para adultos consegue (e não consegue) dizer, quais são os sinais mais comuns e como funciona o diagnóstico.
Existe teste de autismo para adultos?
Existem questionários de rastreamento, como o AQ-10, criado no Centro de Pesquisa em Autismo da Universidade de Cambridge. Eles não dão diagnóstico: indicam se vale a pena buscar uma avaliação completa. A diretriz britânica NICE recomenda oferecer essa avaliação a adultos que fazem 6 pontos ou mais no AQ-10 ou quando há suspeita clínica.
Os testes de autismo online e os "quizzes", gratuitos ou não, funcionam como um primeiro sinal de alerta. O resultado pode ser influenciado por ansiedade, depressão, TDAH, timidez ou pelo próprio desejo de encontrar uma resposta. Por isso, um resultado alto não confirma o autismo, e um resultado baixo não o descarta se os sinais fazem parte da sua história desde a infância.
Quais os sintomas de autismo em adultos?
Os sinais aparecem em duas áreas: comunicação e interação social, e padrões de comportamento, interesses e sensibilidade. No adulto, eles costumam ser mais sutis, porque a pessoa aprendeu a compensar. Os mais comuns são:
- Dificuldade em conversas sociais: entender ironias, regras implícitas, quando falar ou como manter um papo informal;
- Cansaço intenso depois de socializar, mesmo com pessoas queridas;
- Necessidade de rotina e desconforto forte com mudanças inesperadas;
- Interesses intensos e específicos, aos quais a pessoa dedica muito tempo;
- Sensibilidade sensorial: incômodo com barulho, luz, cheiros, texturas de roupa ou de alimentos;
- Preferência por comunicação direta e dificuldade com "mensagens nas entrelinhas";
- Sensação de não se encaixar, muitas vezes acompanhada de ansiedade ou depressão.
Por que o autismo em mulheres costuma ser diagnosticado mais tarde?
Muitas mulheres autistas aprendem desde cedo a observar e imitar o comportamento social dos outros, uma estratégia chamada camuflagem ou masking. Por fora, parecem adaptadas; por dentro, o esforço é enorme e costuma levar à exaustão, à ansiedade e à depressão. Isso faz os sinais passarem despercebidos por anos, inclusive por profissionais.
O que é autismo nível 1?
O nível indica quanto apoio a pessoa precisa no dia a dia, segundo o manual de diagnóstico DSM-5. No nível 1, a pessoa precisa de suporte, mas costuma estudar, trabalhar e ter autonomia, com dificuldades na interação social e na flexibilidade de rotina. É o nível mais comum entre os diagnósticos feitos na vida adulta.
Como é feito o diagnóstico de autismo em adultos
- Entrevista clínica detalhada: a história de vida, da infância até hoje, os sinais, as dificuldades e os pontos fortes. Quando possível, alguém que conheceu a pessoa na infância também é ouvido.
- Questionários e escalas: instrumentos específicos para autismo em adultos complementam a entrevista.
- Avaliação psicológica: investigação de funcionamento social, cognitivo, emocional e sensorial.
- Investigação de condições associadas: ansiedade, depressão e TDAH são frequentes em adultos autistas e podem confundir o quadro.
- Devolutiva: o profissional explica a conclusão e, com ou sem diagnóstico, orienta os próximos passos.
Não existe exame de sangue ou de imagem que identifique o autismo: o diagnóstico é clínico, baseado nessa avaliação cuidadosa.
Quem dá o diagnóstico de autismo adulto?
O diagnóstico é clínico e costuma ser feito por médico psiquiatra ou neurologista e por psicólogo com experiência em autismo, muitas vezes em avaliação conjunta. O psicólogo conduz a avaliação psicológica, que reúne entrevistas, questionários e observação, e o resultado é discutido com o paciente na devolutiva.
Qual o CID do autismo?
Na CID-11, a classificação mais recente da Organização Mundial da Saúde, o transtorno do espectro do autismo tem o código 6A02. Na CID-10, ainda usada em muitos documentos no Brasil, o autismo aparece no grupo F84, que inclui o autismo infantil (F84.0) e a antiga síndrome de Asperger (F84.5).
O que é shutdown no autismo?
Shutdown é um "desligamento" diante de sobrecarga sensorial ou emocional: a pessoa fica quieta, com dificuldade de falar, se mover ou responder, como se precisasse se recolher para recuperar a energia. É diferente do meltdown, que é uma explosão de choro ou raiva pela mesma sobrecarga. Nenhum dos dois é birra ou falta de educação.
Vale a pena buscar o diagnóstico na vida adulta?
Para muitas pessoas, sim. O diagnóstico ajuda a entender a própria história com menos culpa, a fazer adaptações no trabalho, nos estudos e nas relações, e a tratar ansiedade e depressão de forma mais adequada. Também facilita o acesso a direitos garantidos às pessoas com transtorno do espectro do autismo.
Autismo tem tratamento?
O autismo não é uma doença a ser curada, e sim uma forma diferente de funcionamento do cérebro. O que existe é acompanhamento para melhorar a qualidade de vida: psicoterapia para lidar com ansiedade, sobrecarga e autoestima, desenvolvimento de habilidades sociais, estratégias para a rotina e para a sensibilidade sensorial, e apoio à família.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 em cada 127 pessoas no mundo tinha autismo em 2021, e o diagnóstico muitas vezes só acontece bem depois da infância. Se a ansiedade é uma companheira frequente, veja também o que fazer numa crise de ansiedade e os sinais de autoestima baixa, comuns em quem passou anos sem entender as próprias diferenças.
Avaliação e acompanhamento na Clínica Acurar
Na Clínica Acurar, duas psicólogas especialistas em Terapia Cognitivo-Comportamental atuam com transtorno do espectro do autismo (TEA):
- Daiana Falcão (CRP/DF 26296), com formação complementar em Neurociências e Avaliação Psicológica, oferece avaliação psicológica e suporte especializado a pessoas com TEA, para adolescentes, adultos e idosos. Atendimento online para todo o Brasil;
- Josilene Silva Pereira (CRP/DF 27907) atende pessoas com TEA, além de ansiedade e ansiedade social. Adolescentes e adultos, presencial na Asa Sul ou online; crianças, presencial.
Os atendimentos aceitam convênio.
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